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Samuel Gatti Robles @tanomeusite

Samuel é casado, pai de dois filhos, publicitário e apaixonado pelo que faz. Tem dedicado parte de seu tempo às novas tecnologias e é sobre isso que gosta de falar no SocialMediaCast.

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Como todos já sabem eu tenho um caso de amor conturbado que vem desde o fim dos anos 80, sim, sou um pouco passado no quesito idade. O nome dela era Lisa e num primeiro momento achei que ela seria capaz de me fazer feliz, mas eu era apenas um adolescente e não tinha dinheiro para tê-la perto de mim. O tempo passou e anos mais tarde, já formado, acabei me envolvendo com sua irmã mais nova que veio falando suave ao meu ouvido com um discurso que eu queria ouvir e conseguiu, passei alguns meses nesta paixão. Lisa foi o primeiro PC com mouse criado em 1983 e o Performa foi esta “irmã” mais nova com quem me envolvi e tive um caso que me custou caro, muito caro. Já devo ter comentado o barulho que esta relação conturbada gerou, mas o Performa 6320 não correspondia com o que eu esperava de um computador da Apple. A maça, na época, já era o computador de todos os setores das agências de publicidade que eu visitava e eu, um recém formado, se não podia atuar numa agência de São Paulo, queria ao menos ter uma máquina parecida com a deles. Comprei o bendito performa 6320 numa época Stevejobsless. Talvez a falta do gênio tenha explicado a grande besteira que foi esta série de computadores.Steve_Jobs_Headshot_2010-CROP

Eu sei que hoje em dia não se pode falar abertamente sobre alguns temas. Se antes os assuntos “intocáveis” eram mulher, futebol e religião, tecnologia acaba de entrar neste pacote e quando é citada, cria um campo magnético que coloca em lados opostos os amantes de uma marca e aqueles que a odeiam. Discursos inflamados são proferidos de ambos os lados e a conversa não chega a uma conclusão, ou se chega, ela é efêmera, pois semanas mais tarde a concorrência lança sua mais nova versão “MegaPlus-C” que desbanca o lançamento anterior que, sinto em lhe informar, mas já faz parte do passado. É neste “fazer parte do passado” que eu gostaria de concentrar um pouco minhas tecladas.
Em dezembro de 2012, mais especificamente no dia 20, recebi a ligação de um amigo meu, gerente de uma loja da Oi aqui em São Carlos, dizendo que um iPhone 5 estava reservado para mim. Bingo. Na hora eu corri e fui ao encontro do meu tão esperado iPhone. No meu bolso ainda reinava a versão 4 do dispositivo, mas seus dias estavam contados. PPP. Peguei, paguei e “paixonei”. O bicho é 20% mais leve,  muito mais rápido, sua câmera é feita de cristal de safira (não sei pra que serve), mas faz parte de um conjunto de peças que me oferece uma câmera + filmadora muito boas.

O tempo passou e eu não me separo desde aquele dia da caixinha preta touch, até que esta relação foi abalada na semana passada. Na última terça, dia 10/09, tudo o que eu tinha ficou sem graça. Meu iPhone 5 foi “descontinuado”, aliás, se existe uma palavra que me irrita profundamente é quando dizem que algo que é meu foi descontinuado, deixou de existir. #raivadoindivíduoquefalaisso. A Apple lançou os tão aguardados iPhone5s, um avião, uma máquina de 64bits, processador A7, sensor biométrico que dispensa o uso de senhas em algumas ações mas que pode se tornar algo muito usado em outros apps, mas o fato é que naquela noite, quando fui me deitar, olhei para o meu aparelho e disse: “É meu amigo, você já era”.
Tudo bem que exagerei nessa frase, mas tenho reparado na velocidade com que os dispositivos eletrônicos envelhecem hoje, e vi que isso tem nome, é a obsolescência programada. Os produtos têm data de validade tal qual os danoninhos. Esta prática é feita com muita vontade pela Apple e por sua fiel seguidora Samsung quando lançam um novo modelo que supera o anterior. Há alguns produtos que chegam à senitude em 3 anos e seu fabricante deixa de dar suporte/atualização, tornando-os obsoletos. Embora meu iPhone5 ainda se mantenha vivo pelos próximos anos, a crise gerada em mim foi a de outra obsolescência, a obsolescência percebida. Embora eu saiba que tudo o que eu fazia no dia 9 de setembro ainda poderia ser feito no dia 10, a percepção que tenho é que meu iPhone já estava na porta de entrada do asilo.

Eu não escrevo este texto para dar dicas do tipo: “Como encarar seu iphone velho e dizer que será sempre fiel a ele”, ou “Eu casei com meu iPhone5”, mas só pra tornar pública esta nossa “necessidade” de sempre estar com o último modelo das coisas.
Quando paro para pensar nisso, tento fazer uma análise de tudo o que eu uso no smartphone e o que deixarei de usar por causa deste novo lançamento e, em 99,9% das vezes a resposta é: nada. Tudo o que eu já faço continuarei a fazer. Meus posts, o gerenciamento das páginas dos meus clientes, acesso ao twitter, monitoramento via Livebuzz, filmes feitos com o Vine, fotos tiradas pelo Instagram com filtro, embora eu não assuma que os utilize.

Esta semana eu estava fazendo meu percurso diário a partir daqui de São Carlos e reparei um painel rodoviário que iphone5c-oficial2mostrava a coleção de panelas de pressão Eterna da Nigro, que por sinal é feita em Arararaquara, meu destino final , e vi uma certa semelhança com o lançamento da Apple, o Iphone5c, todo colorido. As panelas também vêm em diversas cores, mas porque será que eu não tenho vontade de trocar minha panela e comprar uma outra nova? Será que é porque elas não têm 4G?

Fica aqui minha catarse tecnológica neste desabafo. Que isso sirva pra gente lutar contra este sistema que nos impõe um ritmo alucinante de descarte de nossos equipamentos ainda novos e em pleno funcionamento.

Ps. Só aproveitando a oportunidade, se você souber de alguém que está indo para os EUA nos próximos dias, me dá um toque que eu preciso de um favorzinho.

Samuel Gatti Robles

Ok, poucos são seduzidos  a uma risada por esta frase que escolhi para figurar aqui no título e que, além de não ter a mínima graça, é totalmente sem pé e sem cabeça para nós brasileiros. Se existe algo que funciona muito bem aqui no Brasil é o sistema de arrecadação de impostos e a coisa não para neste estágio não. Já se fala num futuro não muito distante em que as declarações de IR, que tantas dores de cabeça causam aos usuários, não precisarão mais de preenchimento. Sim, é isso mesmo, as pessoas não precisarão mais declarar o que, quanto e onde gastaram seus suados dinheiros. Essa evolução se dá graças ao cruzamento de informações que cada vez mais nos cerca, ou seja, se eu for obrigado a colocar meu CPF em cada compra que fizer e se todos os pagamentos que forem feitos a mim vincularem o mesmo documento, pronto, o governo saberá o quanto sobrou ou faltou no final do mês na minha conta, inclusive as moedas que estão no meu bolso.

Eu não estou defendendo aqui a sonegação e nunca faria isso, mas é inconcebível que a eficiência do governo na arrecadação não seja a mesma na aplicação dos recursos e no controle do fluxo deste dinheiro evitando os desvios e o enriquecimento de poucos.

Pegando como exemplo a tributação do México e da Escandinávia, ambos têm uma tributação de 20% e 50%. Daí você pensa: Mas 50% é muito. Agora eu te pergunto. Qual país você gostaria que o Brasil tomasse como alvo? Entendeu? A tributação no país gelado pode ser altíssima, mas o retorno com educação, saúde, esporte é altíssimo. Altíssimos aqui no Brasil, além dos valores que foram destinados aos dinossauros que receberão a copa, só mesmo os impostos.

Se você leu este texto até agora, talvez esteja achando que ele está no lugar errado e era pra ter sido postado num blog sobre contabilidade, quem sabe no contabilidadecast, #SQN. A bomba que pode cair no colo de todos aqueles que utilizam os serviços prestados por empresas como Google, Facebook, iTunes e Netflix promete causar um estouro legal aí no seu bolso. E fique tranquilo que o governo assumirá a autoria deste atentado.

A bola foi levantada pela Associação Brasileira de TV por Assinatura e o governo comprou a ideia. A ABTA se diz injustiçada com a falta de padrão entre o que ela faz e o que as gringas deixam de fazer. Veja só: uma tv a cabo aqui no Brasil tem uma série de exigências como a necessidade de exibição de conteúdo nacional, recolhimento das taxas Ancine etc. Já o Netflix passa por cima de tudo isso  e exibe o botãozinho vermelho de play na TV da sua casa ou no seu dispositivo móvel sem as mesmas obrigações, a não ser o IOF de 6,38% se a cobrança for feita lá de fora através de um cartão de crédito internacional.

E a história não termina triste só porque em 2014 seu Netflix pode ficar bem mais caro, mas isso afetará muito nossa atividade que começa a ganhar espaço e o entendimento dos clientes porque está se mostrando eficiente. Esta tributação incidirá também sobre os anúncios nas redes sociais como Google e Facebook. Se hoje sua conta na hora de cobrar o cliente é a soma do seu trabalho + o que o Facebook cobrou + 6,38%, esquece, tá chegando mais um número pra te complicar.
Segundo a Folha de São Paulo que procurou o gigante Google, eles vêm com os dois pés no peito e alegam que pagam todos os impostos cobrados aqui na terra da Dilma e que só no ano passado devolveu aos cofres públicos 540 milhões de reais além de gerar mais de 600 empregos.

Se vivêssemos num país sério onde os políticos assumissem seus erros (em alguns países, há políticos que se matam de vergonha depois que vão a público pedir desculpas), e os recursos públicos fossem aplicados em prol da população, o peso destas cobranças talvez até seria mais fácil de ser entendido e aceito, mas do jeito que está, não dá. #Vamosprarua?