desconexão Archive

…uma mudança gigante para a humanidade!

 

Recentemente, realizei uma breve “desintoxicação digital”. Aproveitei uma viagem necessária para questões familiares em uma cidade paradisíaca conhecida com “Armação dos Búzios”, para (tentar) me desconectar por uma semana. O “retiro” duraria de 12h de quarta (28/08) até 12h de terça (03/09). Todas as postagens de clientes foram agendadas, campanhas de Facebook e Google setadas e rodando e uma pessoa de confiança ‘de olho’ em tudo, com acesso livre para me localizar a qualquer momento, também deixei uma lista de tarefas para os Zés não esquecerem de nada (mentira, era só pra eles não esquecerem de mim! =P).

Levei comigo, papel, caneta e o smartphone. Apenas desativar a internet no seria algo muito fácil de burlar, então, para fugir da tentação, desinstalei Whatsapp, Facebook Messenger e Chrome e desativei as notificações de e-mails, Twitter, Facebook, Line, WeChat, Instagram, G+, Tumblr, Keep, Foursquare, Vine, Currents e BeyondPod (ufa!) que são os meus Apps inseparáveis e me programei para fazer dois acessos “autorizados”, apenas para leitura de e-mails.

Fiquei 98 horas totalmente desconectada da internet. Sim, sem acessar a rede mundial ~de computadores (?)~. Esse é o momento que vocês dizem “Uaaaaaaaaaaaauu! Que phoda!”.

 

Mas também, com esse cenário, fica fácil desconectar.

Mas também, com esse cenário, fica fácil desconectar.

 

Trocando uma ideia sobre isso com uma jornalista argentina que conheci na praia enquanto esperávamos nossos bons drinks (esqueci de perguntar o nome, desculpem!), ela me disse uma frase que achei engraçada, mas que faz todo o sentido e foi o start para a composição desse post. “Antes, a gente tinha uma bolsa cheia de coisas que serviam para fazer várias coisas. Agora a bolsa continua cheia de coisas, mas a gente só usa uma para fazer tudo: o smartphone”.

Não é por acaso que em um ano, o mobile “roubou” 3% dos acessos dos PCs e notebooks. No mesmo período, as mídias sociais foram responsáveis por 274.068.465 impressões de ads. Caros, Zés, eu estou falando ~apenas~ de Brasil, que aliás é a sétima potência em acesso à internet no mundo. Isso com uma infraestrutura ridícula, especialmente quando o assunto é 3G (Ou seria 0,5 G?).

Como diria o Capitão Nascimento, “o sistema é foda, parceiro”. Logo, não é por acaso que Oi, Tim e Claro fizeram parcerias com o ~Feice~ para tornar gratuito o acesso à rede do ~Tio Mark ~. E muito menos acaso ainda, o próprio Facebook se associou a outras seis gigantes da tecnologia no projeto Internet.Org, que “é uma parceria global entre líderes em tecnologia, organizações sem fins lucrativos, comunidades locais e especialistas que estão trabalhando juntos para levar a internet até os dois terços da população mundial ainda sem acesso”.

Eu sobrevivi a 98 horas sem internet, mas não sobrevivi a 8 horas sem smartphone. Fosse para usar calculadora, relógio, joguinhos, GPS, lanterna, calendário, ouvir música, câmera, o Fecha a Conta… Sempre ele, ali, colado em mim, como um membro do corpo. Infinitamente mais importante e indispensável que o apêndice ou as amígdalas, por exemplo. No domingo à tarde (dia em que caí em tentação e acessei tudo), me dei conta de que se a internet foi a revolução dos anos 2000, a mobilidade é a revolução desta década. Em minha existência de ¼ de século (que aliás faço parte do grupo mais expressivo da audiência online brasileira – adultos de 25 a 35 anos, segundo a ComScore), nunca antes na história deste planeta, um objeto causou tamanha dependência para a existência humana (se bem que o tamagoshi fica no páreo…). E notem que o smartphone é só a ponta do iceberg, vem aí os smartwatches, glasses e uma infinidade de novos membros para seu corpo.

Desconfio que a Brigitte Bardot só está aí até hoje porque quando ela chegou ainda não haviam inventado o smartphone.

Desconfio que a Brigitte Bardot só está aí até hoje porque quando ela chegou ainda não haviam inventado o smartphone.

Meu objetivo aqui não é demonizar o pobre do mobile. Somente o uso inconsequente, especialmente por nós, profissionais de comunicação. Vivemos uma onda de ‘humanizar’ marcas, empresas e negócios. Estamos esquecendo que humanas mesmo são as pessoas e que nossa responsabilidade é cada vez maior sobre aquilo que é entregue para elas. Com o crescimento do mobile, as estratégias de marketing e publicidade estão mais que inseridas na vida do usuário, elas estão em seus bolsos, pulsos e olhos.

Parece exagero? Faça um teste. Observe o comportamento de um usuário médio. Sua mãe, ou aquela tia que adora falar da novela. Qualquer pessoa que não seja heavy user de internet, mas que possua um brinquedinho desses. Aposto que você vai perceber os sintomas da dependência.

Para encerrar, quero deixar com vocês duas frases para reflexão, ditas pelo presidente da Thymus Branding, Ricardo Guimarães, durante um evento online promovido pelo Google, há algumas semanas. “A gente fica reverenciando a tecnologia, mas era ela que deveria servir às pessoas” e “o humano é muito mais preciso que as máquinas”.

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**Todos os dados citados neste post foram retirados do Brazil Digital Future in Focus 2013, estudo divulgado em março pela ComScore que você pode acessar (e baixar) clicando aqui.

Bom dia // Boa tarde // Boa noite! 🙂
Quem vos fala é a Ze’stagiária Andrea Menezes a ~pessoa estranha~ que AMA a cidade de São Paulo, mais nova colega de galho dos meus amados Ze’s e esta é a minha primeira postagem #NoGalhoDosZÉstagiários. Antes de mais nada, gostaria de agradecer imensamente aos meus colegas de árvore pelo convite para juntarmos nossos cachos de banana e debatermos ~xoxial media~.
Confesso que pensei em muitos temas para inaugurar o galho dos Ze’stagiários, e lembrei de um assunto/atitude ~polêmica~: a desconexão.

 

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Calma, eu explico! Explico e compartilho com vocês um ~case~ pessoal: no início deste ano passei por grandes mudanças da minha vida, pouco a pouco fui ficando ansiosa ou, no caso, mais ansiosa do que o normal, percebi que a grande parte da minha ansiedade e stress nascia nas redes sociais e em especial o Facebook; quando cheguei no limite, me desliguei da Matrix e fiquei off das Redes Sociais.

Sim, me desconectei de todas as redes, utilizando minhas contas apenas profissionalmente e confesso que sofri daquela abstinência pela informação, das fotos, dos likes, das mensagem no meu InBox, das cutucadas, dos Check-ins, dos ~assuntos do momento~, dos RTs e dos #FFs, independente da relevância sentia falta de tudo. Conversei com amigos e vi que não era a única, uma amiga também se desconectou depois de ter passado a noite no hospital por causa de stress e outra por ter brigado com o namorado. Enfim, o motivo não importava, o fato era que naquele momento vários amigos estavam experimentando viver novamente em um mundo totalmente offline, algo que provavelmente não vivenciávamos desde os 13 anos de idade, quando a internet/computadores eram caros e ainda não conhecíamos o ICQ. Passei alguns meses desconectada e quando voltei para as redes em Junho desse ano, senti que estava mais consciente e focada quando utilizava as redes.

Tal atitude não é novidade, em 2012 o publicitário Felipe Teobaldou criou o Tumbrl 100 dias sem face em que diversos usuários relatam suas tentativas de ocupar o vazio deixado pelo Facebook, veja aqui.

Para tentar entender um pouco mais do uso que fazemos ou não das redes sociais, conversei com três amigos sobre o uso que fazem dessas ferramentas:

O Desconectado — André de Paula Andreis
Estudante de Arquitetura e Urbanismo, ele utiliza a rede social profissional Linkedin e possui um site com portfólio de trabalhos.
Contou que já teve um perfil no orkut e no MSN, mas utilizava muito pouco essas plataformas. Por falta de interesse dos assuntos que são discutidos nas redes, optou por não possuir nenhum perfil no Facebook, Twitter, Pinterest ou outra rede com um foco mais lúdico e “para conversação”.
Não se sente excluído dos convites de eventos ou de os assuntos debatidos por amigos da faculdade em grupos no Facebook, pois seus amigos sempre o colocam a par dessas informações, “sempre perguntam, você já está sabendo daquela festa? Eles já estão acostumados com o meu jeito” explica.
Afirma que a informação não está exclusivamente nas redes sociais e por isso opta por se informar através de portais de noticias e acompanha sites de humor como o 9GAG, pensa em ter um smartphone para utilizar as demais ferramentas disponíveis nesses dispositivos móveis e comenta “não posso dizer que teria, também não tenho nada contra nem a favor”.

 

A Confusa – Raquel Sonobe Gamom
A estudante de Arquitetura e Urbanismo desconectou-se há pouco menos de um mês, há tempos sentia que perdia valiosas horas do dia no Facebook apenas olhando as postagens, muitas vezes irrelevantes, que apareciam no feed de noticias e acabava deixando os estudos e outras pendências em segundo plano; apesar de não ser heavy user, conta que estava se tornando dependente da rede.
Hoje, desconectada, se sente um pouco isolada e alheia às informações compartilhadas pelos amigos, encontra dificuldades na hora de visualizar algum link que a direciona para uma postagem no Facebook. “Depois que me desconectei encontro dificuldades em saber informações sobre a greve da UNESP Bauru (onde estudo) e de eventos de amigos”, explica.

“Estou participando do programa ‘Ciências Sem Fronteiras’ e sinto que em grupos com participantes desse programa as informações chegam muito mais rápido e de uma forma bem mais fácil”, afirma e acrescenta contando “fiquei sabendo dias depois que uma colega da faculdade havia embarcado para fazer intercambio e que havia perdido a sua festa de despedida, se tivesse ainda com a minha conta no Facebook isso certamente não teria acontecido”.

Porém nem tudo são lágrimas, Raquel conta que desconectada do Facebook conseguiu dedicar-se completamente aos estudos, está menos estressada e ansiosa, mais focada e concentrada. Também voltou a utilizar o Twitter, onde afirma encontrar informações mais úteis dos perfis interessantes que segue, como arquitetos influentes, canais de notícias e perfis criativos.
Atualmente, ela utiliza o Twitter, o Flicker, o Whatsapp, o Pinterest, e pretende voltar para o Facebook em breve, mas com a condição de adicionar apenas amigos próximos e que possuam interesses em comum. “A intenção é não adicionar por adicionar conhecidos, mas não sei se consigo” afirma.

O Conectado – João Guilherme Magioli
O estudante de Publicidade e Propaganda utiliza varias redes sociais, atualizando seu status diversas vezes por dia nas plataformas em que é cadastrado.
Confessa que anteriormente tinha dificuldade em conciliar sua vida online com sua vida offline, “antes, o uso das redes me atrapalhou bastante, tinha que fazer um trabalho para a faculdade ou mesmo ler um livro e acabava ficando horas no Facebook, quando via já estava atrasado com minhas demandas pessoais”, conta. “Hoje, já sei lidar com isso”, explica.
Selecionar informações que julga relevante, interessante e legal postado pelas páginas e pelos amigos foi a estratégia de João para acessar com mais facilidade um conteúdo de qualidade. “Já cheguei a curtir mais de 1.000 páginas, hoje, segmento o que quero ver no meu feed por interesses. Pode parecer difícil no começo, mas o resultado vale a pena”, conclui.

Relembrando minha experiência pessoal e levando em conta os depoimentos acima, creio que o segredo não é estar ou não conectado, mas sim o uso consciente da rede. E vocês, o que acham?