professor Archive

Zeditorial

Se você não sabe o porquê estou escrevendo este texto, clicaqui e leia o texto do Zémuel. Agora que você está situado, a seda continuará a ser rasgada.

Caco Antibes, que retornou em grande estilo juntamente com seus parceiros de Sai de Baixo, prega: “Por favor, salvem a professorinha”. Todos sabemos das dificuldades de lecionar em um país que não dá valor a este primordial profissional. Sempre quis ser professor, entrei na engenharia com esse sonho e saí dela com ele destruído. Enquanto pensava em encontrar bicos para só depois definir o que cursar, um professor entra na minha vida para não mais sair. Tenho muitos dessa espécie próximo a mim. Pai, irmão, tia, amigos, amigas, muitos mesmo. Mas esse, indiretamente esteve ligado às grandes viradas da minha vida.

Foi em uma conversa com ele que decidi me arriscar na publicidade. Foi graças a um e-mail dele que consegui um estágio no Sesc e dei início a minha vida nas redes sociais. Foi com ele que iniciei um projeto que não só me dá prazer, mas que me dá orgulho.

O projeto você deve conhecer, tem um macaco como personagem principal. É um arquivo de áudio que disponibilizamos para download e alguns textos ilustrativos que o rodeiam. Tem também uma gargalhada característica que foi agregada posteriormente, estagiários que escrevem, ajudam, dão orgulho e tem também um nome parrudo e bonitão: Social Media Cast.

Obviamente que o mestre em questão é o parceiro Zémuel. O cara que grita “quieta nenê” como ninguém.

Não é exclusividade minha, todo mundo tem um professor que marca a sua vida. Seja a tia do infantil que guardou no leite seu dente quebrado ou até o bonitão que conseguiu ensinar a você que Newton tinha razão.

Professores passam por nossa vida para modificá-la. O meu parou. Não quis saber dessa história de ser passageiro. Também nunca quis ser motorista. Resolveu ser parceiro.

Hoje tenho a honra de ter um parceiro que leciona, modifica vidas e divide risadas. E o melhor, é que não é apenas na terça a noite.

zeditorial

Outro dia estava ouvindo um primo meu, bem mais velho do que eu, relatando como eram as punições na escola onde estudava. Pra começar, a escola, que era pública, não se chamava escola, mas recebia o pomposo nome de “Instituto de Educação” e só por isso já impunha um respeito muito grande. E era lá dentro que a vara ardia.

Ele dizia que a punição não se resumia a “ir para a diretoria”, mas consistia principalmente em sentir as dores na mão provocadas pela diretora que usava a palmatória, um instrumento de madeira que, segundo o que dizem, doía demais. Muita coisa mudou de lá pra cá. Se no passado os professores ganhavam o respeito dos indisciplinados na base da porrada e tinham o aval dos pais para este tipo de punição, hoje as notícias mostram que a figura do professor perdeu muito o respeito e algumas tentativas de punição mais severas trazem consigo a revolta dos pais super protetores.

Meu objetivo neste texto não é abordar o lado ruim dos atritos entre professores e alunos, mas mostrar que houve uma mudança muito grande na forma como a informação circula.

Hoje as pessoas vão para os consultórios médicos com uma pré-consulta feita com o Dr. Google, aquele médico que não atrasa e te dá um diagnóstico cheio de hiperlinks diretamente na sua tela com todas as informações possíveis e em alguns casos, pacientes discutem de igual para igual com médicos. A diferença do passado para o presente é a informação. Hoje professores e alunos buscam as mesmas fontes. Hoje, alunos interessados vão para  aula dominando o conteúdo e contribuindo com informações que muitas vezes nem o docente sabe.

No Episódio #68 que a gente publica amanhã (dia1/11), pude refletir sobre como as coisas acontecem na nossa vida e as deliciosas experiências que tenho vivenciado neste ambiente altamente colaborativo dos profissionais de mídias sociais. Para aqueles que não sabem, o Temo, meu parceiro de podcast apareceu um dia na sala da coordenação do curso de publicidade em que eu exercia esta função, querendo saber um pouco mais sobre a área de publicidade. Ele contou que tinha frequentado por vários anos um curso de engenharia e havia desistido. Não me lembro exatamente o que falei para ele, mas o fato é que ele decidiu partir para esta área e, pelo que a gente vê, está se realizando.

Não conheci o Temo antes deste dia, mas para um cara frequentar um curso e não levar à sério, é porque não tinha interesse na área, mas na publicidade ele sempre se mostrou um aluno extremamente interessado e foi a partir daí que tivemos a ideia de compartilhar com os outros o que a gente discutia em sala de aula.

Mas voltando a falar no Episódio #68, ficou muito claro para mim que a informação está disponível para todos, e quem quiser, que pegue e faça bom uso. Numa discussão sobre alcance das postagens no Facebook, a participação do Temo, juntamente com a Alaina, me deixou de fato feliz ao perceber que os argumentos apresentados por eles seriam, no passado, uma afronta à fala de um professor que merecia o respeito como sendo o portador da última palavra. Confesso que a gravação acabou e fui dormir pensando que o maior respeito que um professor pode ter não é através de cabeças baixas acatando o que vem “de cima”, mas uma discussão produtiva em que todos podem refletir e mudar de ideia e eu mudei de ideia reconhecendo que seus argumentos faziam muito mais sentido que os meus.

Quer acompanhar, ouça!