Quem gosta de pagar imposto faz joinha.

Ok, poucos são seduzidos  a uma risada por esta frase que escolhi para figurar aqui no título e que, além de não ter a mínima graça, é totalmente sem pé e sem cabeça para nós brasileiros. Se existe algo que funciona muito bem aqui no Brasil é o sistema de arrecadação de impostos e a coisa não para neste estágio não. Já se fala num futuro não muito distante em que as declarações de IR, que tantas dores de cabeça causam aos usuários, não precisarão mais de preenchimento. Sim, é isso mesmo, as pessoas não precisarão mais declarar o que, quanto e onde gastaram seus suados dinheiros. Essa evolução se dá graças ao cruzamento de informações que cada vez mais nos cerca, ou seja, se eu for obrigado a colocar meu CPF em cada compra que fizer e se todos os pagamentos que forem feitos a mim vincularem o mesmo documento, pronto, o governo saberá o quanto sobrou ou faltou no final do mês na minha conta, inclusive as moedas que estão no meu bolso.

Eu não estou defendendo aqui a sonegação e nunca faria isso, mas é inconcebível que a eficiência do governo na arrecadação não seja a mesma na aplicação dos recursos e no controle do fluxo deste dinheiro evitando os desvios e o enriquecimento de poucos.

Pegando como exemplo a tributação do México e da Escandinávia, ambos têm uma tributação de 20% e 50%. Daí você pensa: Mas 50% é muito. Agora eu te pergunto. Qual país você gostaria que o Brasil tomasse como alvo? Entendeu? A tributação no país gelado pode ser altíssima, mas o retorno com educação, saúde, esporte é altíssimo. Altíssimos aqui no Brasil, além dos valores que foram destinados aos dinossauros que receberão a copa, só mesmo os impostos.

Se você leu este texto até agora, talvez esteja achando que ele está no lugar errado e era pra ter sido postado num blog sobre contabilidade, quem sabe no contabilidadecast, #SQN. A bomba que pode cair no colo de todos aqueles que utilizam os serviços prestados por empresas como Google, Facebook, iTunes e Netflix promete causar um estouro legal aí no seu bolso. E fique tranquilo que o governo assumirá a autoria deste atentado.

A bola foi levantada pela Associação Brasileira de TV por Assinatura e o governo comprou a ideia. A ABTA se diz injustiçada com a falta de padrão entre o que ela faz e o que as gringas deixam de fazer. Veja só: uma tv a cabo aqui no Brasil tem uma série de exigências como a necessidade de exibição de conteúdo nacional, recolhimento das taxas Ancine etc. Já o Netflix passa por cima de tudo isso  e exibe o botãozinho vermelho de play na TV da sua casa ou no seu dispositivo móvel sem as mesmas obrigações, a não ser o IOF de 6,38% se a cobrança for feita lá de fora através de um cartão de crédito internacional.

E a história não termina triste só porque em 2014 seu Netflix pode ficar bem mais caro, mas isso afetará muito nossa atividade que começa a ganhar espaço e o entendimento dos clientes porque está se mostrando eficiente. Esta tributação incidirá também sobre os anúncios nas redes sociais como Google e Facebook. Se hoje sua conta na hora de cobrar o cliente é a soma do seu trabalho + o que o Facebook cobrou + 6,38%, esquece, tá chegando mais um número pra te complicar.
Segundo a Folha de São Paulo que procurou o gigante Google, eles vêm com os dois pés no peito e alegam que pagam todos os impostos cobrados aqui na terra da Dilma e que só no ano passado devolveu aos cofres públicos 540 milhões de reais além de gerar mais de 600 empregos.

Se vivêssemos num país sério onde os políticos assumissem seus erros (em alguns países, há políticos que se matam de vergonha depois que vão a público pedir desculpas), e os recursos públicos fossem aplicados em prol da população, o peso destas cobranças talvez até seria mais fácil de ser entendido e aceito, mas do jeito que está, não dá. #Vamosprarua?

 

Samuel Gatti Robles @tanomeusite

Samuel é casado, pai de dois filhos, publicitário e apaixonado pelo que faz. Tem dedicado parte de seu tempo às novas tecnologias e é sobre isso que gosta de falar no SocialMediaCast.

2 Comments

  1. Realmente, Samuel. Se nossos governantes, de todas as esferas, tivessem mais consciência e responsabilidade, e provassem ao seus eleitores que todos os impostos que pagam estão sendo revertidos em ações concretas, úteis, o povo sentiria esse “impacto” de uma forma muito mais leve, como realmente acontece em alguns países na Europa, por exemplo.
    Mas, como sempre, “cada um no seu quadrado”.
    A abolição da declaração formal e anual do IR seria uma utopia. Só de não ter de preencher todos aqueles dados seria um grande alívio. Mas, sinceramente, como a biometria no sistema eleitoral, ainda estou pagando pra ver.
    Então, enquanto esta cultura infernal de “roubar do povo e continuar enchendo o bolso de dinheiro” existir, o jeito mesmo é colocar a boca no mundo e ir pra rua. #Vamosprarua?

  2. Samuel Gatti Robles @tanomeusite

    Legal Luciano, por isso que considero os movimentos na rua, tirando de lado os marginais infiltrados, uma forma de pressionar. Os políticos viram que o povo cansou. Vamos ver como será a eleição no ano que vem. Eu vejo mudanças em função da pressão. Abraços.

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