A culpa é de quem?

Confesso que estou adorando a briga/#mimimi/altas confusões que os apps de avaliação estão causando. Acho mais do que saudável discutirmos o assunto. Mas neste texto vou, primeiro chover no molhado, depois apontar uma curiosidade, tentar apaziguar (como de costume) e por fim chover no molhado novamente.

Como adiantei, vamos para a chuva onde já se choveu.
Não se deve culpar o meio pelo seu mau uso. A Alaina escreveu (brilhantemente) e comentou que todos temos a capacidade de vencer a preguiça e que a culpa dos usuários não fazerem um bom uso de ferramentas não é da ferramenta (se você não leu, clica aqui)! Não adianta falar que o Lulu é fútil, que o Whatsapp é brega, que o Facebook só serve pra ficar sabendo da vida dos outros e que o Instagram tá cheio de gente metida. Vença sua preguiça e procure bons conteúdos. No balaio “bom” coloco o interessante e o prazeroso junto. Se você sente prazer em avaliar as pessoas, vá! Seja feliz, mas não reclame se fizerem o mesmo com você.

A curiosidade que apontarei é a respeito de um comentário que ouvi de um amigo gay. Antes, teço outro comentário a respeito de uma postagem na página “Feminismo sem demagogia” que pedia:

“Pessoas, por favor, ajudem a divulgar essa informação ao máximo de mulheres possível:
Em breve estará no ar o aplicativo misógino que pretende ser mais um lugar onde os homens possam nos julgar de acordo com nosso comportamento sexual (oh, que surpresa!).” A postagem está aqui.

As mulheres não estão fazendo isso no Lulu? Enfim.

O comentário de meu amigo gay que me referi anteriormente era algo parecido com: “Hoje em dia deve ser difícil ser homem hétero”. Na ocasião questionei e a resposta era a conclusão de que todos defendem suas classes menos o homem hétero o que o tornava uma minoria. Este deve tomar cuidado ao falar de mulher e de gay, mas gays e mulheres podem falar de si mesmo e de homens héteros. Não concordei totalmente com os dizeres, mas me fizeram refletir. Faz sentido! Curioso, não? Claro que isso é a colheita que se faz por anos de plantio de preconceito, mas não deixa de ser curioso.

Para apaziguar, basta um olhar diferente sobre o tema. O Lulu por exemplo, se ele fosse aberto aos homens, não para que estes pudessem avaliar ou editar, mas ao menos saber o que é falado ao seu respeito e caso não gostasse ter a opção de desativar, seria mais tranquilo. Explico.

sociedade-dos-poetas-mortos-foto-2

Criando um banco de dados sobre você mesmo, com avaliações positivas e negativas de pessoas que tiveram relação com você (seja sexual ou não) e entregando todas essas métricas de presente, o homem teria uma MEGA oportunidade. Poderia (mais uma vez parafraseando minha amiga Alaina) vencer a preguiça, trabalhar mais os aspectos positivos e tentar mudar nos aspectos negativos. Quem trabalha com social sabe a importância de relatórios e métricas bem traçadas. Isto define onde você vai investir, o que fez de certo e o que fez de errado.

Se o Lulu passar a ser visto como uma oportunidade masculina e não como um simples avaliador, ele deixaria de ser algo fútil e se tornaria uma app de utilidade pública. Nele poderíamos trabalhar a ideia de que as avaliações servem para alertar os homens, avisá-los tudo que fazem de certo e de errado.  Assim, damo a oportunidade de desativar a conta, ou tentar ser um homem melhor. E com homens melhores, melhor para as mulheres e para eles próprios e de novo melhor ainda para as mulheres e assim continuaria o ciclo vicioso do bem estar.

Mais uma vez… a culpa não é do aplicativo!

Temo Mori

Leave a Reply