Author Description

Samuel Gatti Robles @tanomeusite

Samuel é casado, pai de dois filhos, publicitário e apaixonado pelo que faz. Tem dedicado parte de seu tempo às novas tecnologias e é sobre isso que gosta de falar no SocialMediaCast.

Captura de Tela 2013-11-20 às 18.35.20No SocialMediaCast não tem como disfarçar, eu represento um papel, eu atuo, eu sou o cara da maça  e nessa representação, tudo o que está do lado de lá da fruta não presta. Não é bem assim, tenho minha paixão pelos produtos da Apple mas sei muito bem o que a concorrência tem a oferecer. Se nas minhas discussões com a Alaina, minha parceira de podcast, eu não dou o braço a torcer, o teclado do meu mac me torna um cara mais pensativo, mais introspectivo e me convence a ser mais sincero, a ser o “eu mesmo”.

Ontem, em minhas últimas buscas na colaboração semanal que faço para fechar nossa pauta de gravação do episódio 71, encontrei em uma das páginas do portal da Forbes um vídeo do Google que cumpre uma das funções mais básicas da publicidade convincente, a de tocar no coração.

A gente ouve muito falar sobre a parte trágica da super-exposição que as redes sociais trazem. Ouvimos os telejornais mostrando casos de ciber-pedófilos presos em vários estados do país além de muitos outros crimes digitais que acontecem no nosso mundão.

Existe um outro lado do digital que é muito bonito e pode ser visto com nitidez nos diversos benefícios que trouxe à vida das pessoas. Se relacionamentos têm sido desfeitos por causa do Facebook, que pena, mas muitas novas amizades têm surgido, muitos amigos se reencontrado e até casamentos acontecido. Ninguém nunca vai tirar do digital sua essência que é focar seus resultados no homem, no ser humano.

O vídeo que encontrei é do Google India e mostra uma história emocionante. Uma menina conversa com seu avô que fala de um velho amigo de infância separado pelas questões políticas que separaram índia e Paquistão. Cada um está de um lado, mas se há uma barreira que ainda pode ser passada é a digital. A menina ouve atentamente as recordações do velho e através de palavras chave encontra seu amigo em Nova Dheli. O uso da maior e melhor ferramenta de busca é mostrada em várias situações parecidas com aquelas que eu e você usamos e o final é emocionante, os dois se encontram no dia do aniversário de um deles.

Confesso que foram 3 minutos que ganhei, que me emocionei e que confirmei que podemos fazer bom uso das ferramentas que nos são disponibilizadas.

zeditorial

Outro dia estava ouvindo um primo meu, bem mais velho do que eu, relatando como eram as punições na escola onde estudava. Pra começar, a escola, que era pública, não se chamava escola, mas recebia o pomposo nome de “Instituto de Educação” e só por isso já impunha um respeito muito grande. E era lá dentro que a vara ardia.

Ele dizia que a punição não se resumia a “ir para a diretoria”, mas consistia principalmente em sentir as dores na mão provocadas pela diretora que usava a palmatória, um instrumento de madeira que, segundo o que dizem, doía demais. Muita coisa mudou de lá pra cá. Se no passado os professores ganhavam o respeito dos indisciplinados na base da porrada e tinham o aval dos pais para este tipo de punição, hoje as notícias mostram que a figura do professor perdeu muito o respeito e algumas tentativas de punição mais severas trazem consigo a revolta dos pais super protetores.

Meu objetivo neste texto não é abordar o lado ruim dos atritos entre professores e alunos, mas mostrar que houve uma mudança muito grande na forma como a informação circula.

Hoje as pessoas vão para os consultórios médicos com uma pré-consulta feita com o Dr. Google, aquele médico que não atrasa e te dá um diagnóstico cheio de hiperlinks diretamente na sua tela com todas as informações possíveis e em alguns casos, pacientes discutem de igual para igual com médicos. A diferença do passado para o presente é a informação. Hoje professores e alunos buscam as mesmas fontes. Hoje, alunos interessados vão para  aula dominando o conteúdo e contribuindo com informações que muitas vezes nem o docente sabe.

No Episódio #68 que a gente publica amanhã (dia1/11), pude refletir sobre como as coisas acontecem na nossa vida e as deliciosas experiências que tenho vivenciado neste ambiente altamente colaborativo dos profissionais de mídias sociais. Para aqueles que não sabem, o Temo, meu parceiro de podcast apareceu um dia na sala da coordenação do curso de publicidade em que eu exercia esta função, querendo saber um pouco mais sobre a área de publicidade. Ele contou que tinha frequentado por vários anos um curso de engenharia e havia desistido. Não me lembro exatamente o que falei para ele, mas o fato é que ele decidiu partir para esta área e, pelo que a gente vê, está se realizando.

Não conheci o Temo antes deste dia, mas para um cara frequentar um curso e não levar à sério, é porque não tinha interesse na área, mas na publicidade ele sempre se mostrou um aluno extremamente interessado e foi a partir daí que tivemos a ideia de compartilhar com os outros o que a gente discutia em sala de aula.

Mas voltando a falar no Episódio #68, ficou muito claro para mim que a informação está disponível para todos, e quem quiser, que pegue e faça bom uso. Numa discussão sobre alcance das postagens no Facebook, a participação do Temo, juntamente com a Alaina, me deixou de fato feliz ao perceber que os argumentos apresentados por eles seriam, no passado, uma afronta à fala de um professor que merecia o respeito como sendo o portador da última palavra. Confesso que a gravação acabou e fui dormir pensando que o maior respeito que um professor pode ter não é através de cabeças baixas acatando o que vem “de cima”, mas uma discussão produtiva em que todos podem refletir e mudar de ideia e eu mudei de ideia reconhecendo que seus argumentos faziam muito mais sentido que os meus.

Quer acompanhar, ouça!

Certo dia eu estava na plateia da edição de Araraquara do SMSP (Social Media São Paulo) aguardando para participar de um dos painéis quando o gênio dos eventos de Social Media do interior de SP, meu amigo Armindo Ferreira, fez um comentário que realmente ficou guardado e tento trazer à memória sempre que algumas situações me fazem pegar a direção contrária. Ele disso: “Vamos parar de ficar procurando os erros cometidos nesta área e focar mais nos acertos”. Armindo estava falando sobre as falhas (humanas) cometidas por algumas empresas neste mercado digital, e ele tinha muita razão.
Nós estamos ainda estamos construindo este mercado e nota-se que existem diversos atores neste processo tentando desempenhar um papel muito legal que não se limita apenas em colocar sua tábua nesta ponte que a gente constrói enquanto se apoia, mas de estimular os demais, empolgar os outros participantes e tentar construir algo positivo. Essa fala não era um “cala a boca”, mas um convite ao exercício de uma visão que olha lá pra frente.
Esta mensagem Armindiana ecoava ainda mais forte porque naquele período nós havíamos comentado aqui no galho do Zé sobre alguns fails cometidos na gestão de algumas páginas ou contas de clientes nas redes sociais. Não que não devêssemos comentar, mas a impressão é que a conversa sobre estes temas ganhava um destaque além do que merecia.
Tentando minimizar um pouco nossa visão pessimista lá do começo do ano, faço questão de mencionar a postura de algumas empresas no relacionamento com seus clientes através do Twitter. Não quero aqui defender os bancos e seus lucros invejáveis, mas me posicionar sobre a postura destas empresas que dificilmente conseguem emplacar no dia a dia e no relacionamento real dentro da agência o que os comercias de TV mostram. Se no intervalo da Globo os gerentes são amigos de verdade, os tapinhas nas costas são sinceros e a taxa dos juros faz abrir um sorriso no rosto do pobre coitado que está fazendo um empréstimo, na vida real isso está muito longe de acontecer, mas pelo menos há algo que a gente pode olhar bater palmas. Os bancos estão sabendo se relacionar com os perfis nas redes sociais.
Eu me empolguei quando vi isso acontecendo, mas veja você, amigo macaco leitor a imagem que coloco abaixo. A equipe de Social Media do banco poderia ter ignorado o inspirado twitteiro, mas não, respondeu de uma forma brilhante.

Conversa entre Banco Itaú e perfil no Twitter

Conversa entre Banco Itaú e perfil no Twitter

Esta onda de banco se aproximar dos usuários começou lá no passado quando o Bradesco recebeu uma pergunta em forma de poema em que o cliente queria saber qual o procedimento para solicitar um novo cartão. O banco devolveu na mesma métrica.

Resposta do Bradesco

Resposta do Bradesco ao perfil que começou a conversa com um poema.

Tudo bem que gostaríamos de ver os bancos disputando quem cobra a menor tarifa de manutenção de nossas contas, mas foi divertida a troca de argumentos protagonizada pelos bancos Santander e Itaú para ganhar o direito de guardar o dinheiro do perfil do podcaster e blogueiro @Vyktorb.

itau-santander-twitter

Conversa entre Itaú e Santander na disputa de um perfil através do Twitter

Não sei quem ganhou a batalha na boca do caixa, mas o legal desta sequência de cases é que, em tempos de greve dos bancários e crescimento dos terminais de auto atendimento, home banking e acesso mobile, jamais estas empresas substituirão o talento dos profissionais que vêm munidos de um chip exclusivamente humano, o chip do bom humor e do jogo de cintura que proporcionam um rebolado muito legal nas redes sociais que só pode mesmo terminar em samba.

Samuel Gatti Robles é publicitário, especialista em gerenciamento de marketing, casado com a Helô, pai da Paulinha e do Rafa e anda muito esgotado por causa do excesso de trabalho.